28 de julho de 2014

Dois trechos de "A Biblioteca Mágica"

... que fomentaram o meu desejo de trabalhar com livros e pessoas... Sim! Tornar-me bibliotecária.*


[…] Lilli pôs-se a caminhar ao longo de uma das paredes e, de uma das estantes, retirou um pequeno livro. Tinha sido escrito por um certo Simen Skjonsberg, e o título era O Horrendo Prazer. Epístolas sobre os Mistérios da Leitura. Convidou Nils a ler a contracapa; Nils aclarou a voz por duas vezes e leu:
Caminho ao lado das estantes da biblioteca. Os livros viram-me as costas. Mas, não de maneira hostil. Convidam-me. Como se quisessem apresentar-se. Metros e mais metros de livros que jamais conseguirei ler. Bem sei que é vida que a mim se oferece, uma vida a acrescentar à minha, uma vida que está aí, tão-somente à espera de ser experimentada. Mas à velocidade a que os dias desaparecem, as possibilidades vão se desvanecendo. Bastaria um só destes livros para mudar a minha vida. Quem sou agora? Quem serei depois?
— Consigo compreender o seu amor pelos livros — disse eu, a certa altura. — Não tem um trabalho... ou um marido?
Lilli começou a rir com vontade, inclinando a cabeça para trás. Mario Bresani deve ter-se virado nesse mesmo instante, já que se voltou para nós e também se pôs a rir.
— Duas perguntas de uma só vez! Berit, eu sou bibliógrafa de profissão. Por outras palavras, sou uma especialista de livros e bibliotecas. É disto que vivo. Recebo encargos quer na Noruega quer em outros países, o que significa que viajo com muita freqüência. Também por este motivo é que quis que a minha biblioteca estivesse bem protegida. Por vezes vou a Roma... outras vezes é o Mario que vem à Noruega. De qualquer maneira, também gosto da minha própria companhia e dos meus livros. Aliás, até houve alguém que disse que «o melhor amigo é um bom livro». E outra pessoa disse: «Escolher um bom livro é escolher a melhor das companhias: rodeamo-nos dos personagens mais nobres, argutos e sábios que fazem parte do ornamento e do orgulho da humanidade.»

"De repente, fiquei com uma fome tremenda. Não era fome de alimentos mas, de todas as palavras escondidas nestas estantes. No entanto, sabia que tudo aquilo que conseguisse ler no decurso da minha vida seria sempre e só uma trilionésima parte de tudo o que já foi escrito. Existem muitas palavras no mundo inteiro, tantas quantas as estrelas que há no céu. E são cada vez mais, e expandem-se como um espaço infinito. Ao mesmo tempo, sabia que todas as vezes que abro um livro é um pedaço de céu que se abre à minha frente e todas as vezes que leio uma frase conheço algo de novo que não conhecia antes. E tudo o que leio faz com que o mundo fique maior e eu vá alargando os meus horizontes. Num instante veloz, tinha acabado de olhar bem dentro do fantástico e mágico mundo dos livros."


GAARDER, Jostein e HAGERUP, Klaus. A Biblioteca Mágica. 3.a edição, Lisboa: Editorial Presença, Janeiro, 2005.


* Atualmente, curso o Técnico em Biblioteca na ETEC Parque da Juventude. 
Em novembro, prestarei novamente o ENEM para concorrer a uma vaga nas universidades federais do Nordeste. O curso? Biblioteconomia, é claro! 
Sou a esperança em pessoa... Quero muito me mudar para a PB, mas estou repetindo sempre, Se for para ser, será... Se não passar, dessa vez, presto novamente. Após duas oportunidades (ambas inviáveis por distância e valor) serem deixadas no passado, poderei esperar mais alguns anos para alcançar o que quero. 
Por enquanto, continuo firme e forte no excelente Técnico em Biblioteca da #EtecPJ. Estou no caminho certo :)

Maratona Literária 3.0 - O que (realmente) li!


Oi! 
No dia 20 listei os quatro livros que pretendia ler para a ML 3.0. Hoje digo o que... realmente li! Porque entre o que Maurinha promete e o que Maurinha cumpre quando o assunto é meta de leitura, 2014 está se mostrando (desde maio) um bom ano para não me obrigar a fazer leituras (depois do TCC, leio apenas o que dá vontade de ler. Porém, como boa Senhorita Contraditória que sou, ainda faço uma pilha com títulos que tenho interesse. Aí... Leio, o livro que me chama. Se gostar, continuo, se não gostar, paro).


April in Moscow, de Stephen Rabley - 20 páginas
Orquídea Negra - Minissérie completa, de Neil Gaiman e Dave McKean - 148 páginas
Two Boys and a Boat, de Sue Arengo - 24 páginas
A Vida do Livreiro A.J. Fikry, de Gabrielle Zevin - 192 páginas

Terminei o livro da Gabrielle Zevin que achei encantador. Tô até com vontade de reler no papel agora. 
Tomei vergonha na cara e li a minissérie completa Orquídea Negra, empréstimo que devo preciso!!! devolver ao dono o quanto antes e para perder o medo do tio Ingrês (sim, o tio Ingrês! LOL), estou lendo livros infantis no idioma.
Resumindo, da minha meta original li apenas A Vida do Livreiro A.J. Fikry que já havia começado. 

O diabo veste Prada não está me agradando tanto, que início arrastado T.T Acho que farei o empréstimo dele na biblioteca porque ler a versão digital (não oficial, é claro!) que peguei está se mostrando um fiasco... 
Comecei a ler A marca de uma lágrima, mas não dei continuidade por algum motivo que desconheço. E Valter Hugo Mãe? Ficou na estante me olhando... Esse ano o lerei, prometo.


Obrigada pelos comentários na postagem inicial da ML e até a próxima :D
Beijos!

23 de julho de 2014

Evento em SP: 26/07/14

Não lembro de (esse ano) ter divulgado os encontros do VAP... E, pra falar a verdade, tirando as programações das bibliotecas esse blog está fraco de postagens de eventos! Para compensar, convido-os para aparecerem no encontro de julho do Virando a Página em que o livro será debatido. 


Quero participar desse encontro *espero poder ir!* para comentar o que gostei e os vários "pontos" que me desagradaram muito. Mas, até que eu gostei do livro.

20 de julho de 2014

Maratona Literária 3.0 - O que pretendo ler!

Também decidi participar da terceira edição da Maratona Literária, pretendo terminar dois e tentar ler outros dois:


O Diabo Veste Prada, de Lauren Weisberger - 407 páginas (Lendo)

A Vida do Livreiro A.J. Fikry, de Gabrielle Zevin - 192 páginas  (Lendo)

A Marca de Uma Lágrima, de Pedro Bandeira - 128 páginas

A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe - 256 páginas


Total de Páginas: 983 
Total de Páginas Já Lidas: 220 
Total de Páginas a serem lidas: 763
Se eu ler... 109 páginas por dia consigo concluir a maratona! 
Bom... É começar para saber se, dessa vez, eu consigo!


Maratona2
Demorô!

15 de julho de 2014

Links para a Semana #29

Um apanhado de links interessantes/legais para serem acessados na semana que inicia-se. 



Boa semana para tod@s!

14 de julho de 2014

"Hey hey, my my... Rock and roll can never die"

Comemoro o dia do róqui atualmente ouvindo a mesma música repetidamente, não por falta de opção, mas para me relembrar como algumas músicas conseguem me deixar (ainda mais) sem palavras.
O som desse e dos últimos anos é a primeira que ouvi do velho sr. Young, a primeira faixa do Rust Never Sleeps (Neil Young & Crazy Horse), My My, Hey Hey (Out of the Blue), mas que está sendo ouvida juntamente com sua irmã Hey Hey, My My (Into the Black), nona e última canção do álbum, além das outras músicas do disco. 
Tão bom ouvir um disco completo, mesmo que eu fique morrendo de vergonha por ter demorado tanto para finalmente ouvi-lo.

Ouçam. Ah, as letras foram tiradas daqui.

My My, Hey Hey (Out Of The Blue)

My my, hey hey
Rock and roll is here to stay
It's better to burn out
Than to fade away
My my, hey hey.

Out of the blue
and into the black
They give you this,
but you pay for that
And once you're gone,
you can never come back
When you're out of the blue
and into the black.

The king is gone
but he's not forgotten
This is the story
of a Johnny Rotten
It's better to burn out
than it is to rust
The king is gone
but he's not forgotten.

Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There's more to the picture
Than meets the eye.
Hey hey, my my.




Hey Hey, My My (Into The Black)

Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There's more to the picture
Than meets the eye.
Hey hey, my my.

Out of the blue and into the black
They give you this, but you pay for that
And once you're gone, you can't come back
When you're out of the blue and into the black.

The king is gone but he's not forgotten
Is this the story of Johnny Rotten?
It's better to burn out than to fade away
The king is gone but he's not forgotten.

My my, hey hey
Rock and roll is here to stay
Hey hey, my my
Rock and roll will never die



Post atrasado do dia do róqui, como todos os outros que (ainda) planejo postar.

10 de julho de 2014

Programações das Bibliotecas: Julho

Contação de histórias nas bibliotecas

Em julho: Histórias brincantes, Esta é a verdadeira história, Palácio dos macacos, A gata comilona e outros bichos mais, A jardineira de livros, Manual para chorar, Contar é preciso, ler é indispensável, Chá de Bonecas e Super Heróis, Histórias da sorte, Histórias de dons e amizades, O maravilhoso tem lugar, Histórias de meninos e lagartos e Naquele livro tinha uma história.

Jardineira de livros
A jardineira de livros
Com ​Raiani Teichmann da Cia Laço de Abraço
Conheceremos um jardim onde nascem todos os livros da língua portuguesa. Entre eles, serão colhidos “A maior flor do mundo”, de José Saramago, que conta a história de um menino que, de gota em gota, salvou uma flor que estava para morrer; em “Amor do coração”, encontraremos um amor que morava em um sapato velho, fedido e furado, até que um dia é atropelado e resolve ir atrás de outra moradia. Livre
Dia 15 de julho às 13h – Ônibus-Biblioteca Roteiro Jaçanã 
Dia 23 de julho às 10h – Biblioteca Jovina Rocha Álvares Pessoa 
24 de julho às 14h30 – Biblioteca Brito Broca 
25 de julho às 10h30 – Ponto de Leitura André Vital 
30 de julho às 14h30 – Biblioteca Aureliano Leite 

Quero muito conferir essa contação, em especial *.*
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Cinema em julho

Oito bibliotecas apresentam sessões de cinema em julho, confira a programação.
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Saraus e Leitura Periférica nas Bibliotecas

Em julho: Literatura Periférica: Veia e Ventania nas bibliotecas de São Paulo, Sarau Roda da Palavra, Sarau Encontro de Utopias, Sarau Lítero-Musical da Zona Norte e Sarau das Artes
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Leitura e Literatura

Projeto Primeira Infância, Leitura com mediação, Encantos de Leitura, Histórias lidas e relidas, Ler é divertido, Baú de histórias, Deixe falar o coração, Ciranda de leitura e outras leituras.
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Música nas Bibliotecas

Em julho assista Samba Rock, Choro da Manhã, Show da Banda Lados Opostos, Projeto Sábado Harmônico, Tarde Sertaneja e Baile da Melhor Idade.
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Cursos e oficinas nas bibliotecas

Tai Chi Chuan, Samba Rock, Brincando com Origami, Xilogravura, Cores e Contos com Cremilia, Workshop de Dança do Ventre, Capoeira, Dança Sênior, Brincando em Inglês, Projeto Boi – Bumbá, Teatro Vocacional, Artesanato, Xadrez e Fanzines em julho nas bibliotecas.
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Circuito de Música

Durante o mês de julho, as Bibliotecas Públicas integram o Circuito Municipal de Música, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura, contribuindo para a ampliação do repertório cultural em diversos pontos de cultura da cidade de São Paulo. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados uma hora antes do início da sessão, limitado a um por pessoa.
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Teatro nas Bibliotecas

Em julho assista Chapeuzinhos coloridos, Memórias, crônicas e declarações de Amor - 2º movimento, A fantástica Trupe em... a princesa engasgada, Portinari pé de mulato, O menino que abria portas e O trenzinho Villa-Lobos.
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Projeto Ônibus-Picadeiro, teatro e contação

O Projeto Ônibus-Picadeiro é uma iniciativa do Sistema Municipal de Bibliotecas que leva diversas atividades circenses para os Roteiros do Ônibus-Biblioteca. São palhaços, malabares, equilibristas e muita diversão, sem esquecer é claro, o livro e a leitura como fundamentais para a vivência cultural. Veja a programação de julho também com teatro e contação de histórias.



Veja os horários diferenciados das Bibliotecas, Pontos de Leitura, Ônibus-biblioteca e Bosques da Leitura nos feriados de 2014
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8 de julho de 2014

Algumas palavrinhas sobre... Avisterram de Maria Luiza Brito

No livro de estreia de Maria Luiza Brito, Avisterram, conhecemos Sophia, uma pré-adolescente que vai morar com uma tia e o marido dela, os Finnigan, após sua mãe "sumir". Em sua condição de órfã, a parente mais próxima dela é essa tia que fora casada com o tio da menina. 
A narrativa ambientada no finzinho do século XVIII começa quando Sophia está numa missão. Escondida, saí da casa do casal e vai até a sua antiga residência para procurar um objeto que poderá levá-la até sua mãe que acredita estar viva e  "provavelmente [...] prisioneira em um reino mágico, escravizada por um rei tirano e impiedoso."
Auxiliada pela fada Luza, que surge em seus sonhos, Sophia consegue chegar até o reino de Avisterram, povoada pelos "Purpúreos" e repleta de monstros e seres encantados. Lá ela conhece Aldar, seus 11 irmãos e os pais deles. A família, imediatamente, simpatiza-se com a garota que passa a ir mais e mais vezes ao lugar pela passagem mágica indicada pela fada. Aldar não demora a descobrir que ela não é daquele reino, onde todos possuem olhos roxos, orelhas pontudas e narizes arrebitados. Quando Sophia revela o que a trouxe até Avisterram, Aldar decidi ajudá-la a chegar até o castelo do rei Epáfício, onde vive com sua filha, Maravinda, após sua esposa perder-se na floresta.
Para deixar a vida da garota mais agitada, ela descobre que está noiva de um garoto de uma família rica e insuportável. Quando completar 13 anos, casará-se com o insuportável Marcus. Enquanto não está ajudando nos preparativos da festa, Sophia foge para Avisterram... Além de Aldar, ela consegue ajuda de outras pessoas, como o sr. Lud que consegue traduzir um livro que revela todos os segredos da floresta de Avisterram, livro que será muito útil a eles quando precisarem entrar no local para chegar ao castelo. 
Com a proximidade do casamento mais próximos, Aldar e ela estão de reencontrar a mãe de Sophia.

Decidi adquiri Avisterram na loja da Amazon BR, primeiramente, porque a capa me ganhou. Ao ler sinopse fiquei com a impressão de que a história que possui elementos que aprecio iria me agradar bastante. 
A escrita da Maria Luiza é agradável, ideal para quem deseja ler algo que entretenha e seja rápido. Li no aplicativo do Kindle para celular (a única utilidade que ele tem para mim) quando precisava ir até algum lugar ou estava numa fila.  
Fiquei feliz ao terminar um livro que havia gostado e que possui uma história muito criativa. Pura fantasia!  
Todavia, Avisterram possui alguns 'deslizes' de revisão: o capítulo 9 aparece repetido e em determinado momento, dizem que a personagem vai completar 14 anos quando no começo o que fora afirmado é que ela completaria 13, mas, enfim... Nada que tire o encanto da história. 
A reta final me deixou aflita porque o livro estava em 99% e MEU, DEUS!!! NÃO ACREDITO QUE ESSE SERÁ O FIM DA HISTÓRIA. Ufa, não foi! Porém, isso também deixou-me um pouco chateada, não gosto de correria nos finais, principalmente quando estes possuem tanto para revelar. Felizmente, a autora conseguiu terminar muito bem o livro e ainda me deixar com um sorriso no rosto: o final é surpreendente.  

SOBRAL, Maria Luiza Brito. Avisterram. Brasília : Annabel Lee, 2014. 302 pág.


Lido para o Desafio Literário Skoob 2014 - Mês de Junho: Autores Brasileiros. 

5 de julho de 2014

Fragmento de Sábado #12

Após ler a resenha da Pipa fiquei com a forte impressão de que gostaria de Eleanor & Park da Rainbow Rowell. Li e gostei, é claro. 
Percebo que gostei bastante de um livro quando muitas linhas dele enroscam-se em mim
A história de Park e Eleanor tocou-me profundamente e alguns trechos me deixaram suspensa, lia as palavras seguintes mas sentia que ainda não havia voltado ao chão. 
Foi uma leitura divertida, agradável que também deixou meu coraçãozinho apertado em alguns momentos (obrigada, Mindy, mãe do Park, pela conversa na véspera de Natal. Chorei.)

Se já sou uma negação com as palavras, quando preciso falar de uma história, aí me complico, ainda mais. 
Então vou deixá-lo com uns trechos bem compridos que gostei - um pouco mais - do livro. 


"[...] No dia anterior, a caminho de casa, o ônibus teve de dar uma volta de quinze minutos devido a um encanamento estourado. Steve começou a reclamar porque precisava chegar ao posto de gasolina em que trabalhava. Então, Park disse:
– Uau...
– O quê? – Eleanor passara a se sentar na janela, onde se sentia mais segura, menos exposta, como se pudesse de fato fingir, às vezes, que o ônibus era só deles.
– Posso estourar canos com a mente.
– Mas que mutação mais limitada – disse ela. – Qual é seu codinome?
– Meu codinome... hum... – e aí ele começou a rir e puxou um dos cachinhos dela. (Esta era a supernovidade, o toque nos cabelos. Às vezes, ele vinha por trás dela na escola e lhe puxava o rabo de cavalo ou lhe dava um tapinha no coque.)
– Hum... Não sei qual seria meu codinome – ele falou.
– Que tal Funcionário Público? – disse ela, colocando sua mão sobre a dele, dedo com dedo. Os dela eram bem menores, mal passando da metade dos dele. Devia ser a única parte dela que era menor do que ele.
– Você é mesmo uma menininha – ele comentou.
– O que quer dizer?
– Suas mãos. Elas são tão... – Ele tomou uma das mãos dela dentro das dele. – Sei lá... vulneráveis.
– Mestre dos Canos – ela sussurrou.
– Oi?
– Seu codinome de super-herói. Não, espera, Encanador. Tipo o Super Mario!
Ele riu e puxou outro cachinho.
Essa fora a mais longa conversa que tiveram em duas semanas. Ela começou a escrever-lhe uma carta – começou um milhão de vezes –, mas parecia uma coisa tão oitavo ano. O que poderia escrever?
“Querido Park, gosto de você. Seu cabelo é muito bonito.”
Ele tinha mesmo um cabelo muito bonito. Muito, muito. Curtinho atrás, mas meio longo e bagunçado na frente. Era quase totalmente liso e quase totalmente negro, o que, em Park, parecia ser uma espécie de escolha de estilo de vida. Ele sempre usava preto, praticamente dos pés à cabeça. Camisetas pretas de punk rock por baixo de camisas de manga comprida pretas. Tênis pretos. Jeans azul. Quase tudo preto, quase todo dia. (Ele tinha uma camiseta branca, mas com os dizeres “Bandeira preta” na frente, em grandes letras pretas.)
Sempre que Eleanor usava preto, sua mãe dizia que parecia que ela estava indo a um funeral, num caixão. Enfim, era normal ela dizer esse tipo de coisa quando notava, vez ou outra, o que Eleanor estava vestindo. Eleanor teve de usar alfinetes do kit de costura da mãe para prender retalhos de
seda e de veludo a fim de tampar os buracos dos jeans, e a mãe nem comentou nada.
Park ficava bem de preto. Parecia um desenho feito a carvão. Sobrancelhas grossas e arqueadas. Cílios curtos e negros. Bochechas salientes, brilhantes.
“Querido Park, gosto muito de você. Você tem bochechas muito bonitas.”
Apenas não gostava de pensar sobre Park o que raios ele poderia ter visto nela."
Capítulo 16


4 de julho de 2014

1 de julho de 2014

Retrospecto Mensal: Março e Abril/2014

Cheguei pro chá!!!

Achava que Março e Abril tinham sido ruins, mas Maio veio e se mostrou pior do que eu poderia imaginar. Algumas pessoas sabem o por quê: a (quase) conclusão do curso, a escrita e finalização da monografia, além de receber como presente da faculdade, um semestre revoltante. 
Enfim, mas consegui recorrer a filmes e uma leitura aqui, outra acolá para abstrair (ou aprender a respirar) quando a vontade de apagar todas aquelas páginas era muito grande. 
Chegamos ao fim do momento "Maura reclamona", agora vamos para o momento... Retrospectiva!!!