30 de outubro de 2015

Conheça os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2015


Conheci esse prêmio quando comecei a frequentar a BSP.
Um dos meus livros preferidos, Vermelho Amargo (Bartolomeu Campos de Queirós) peguei na estante dos premiados do Prêmio São Paulo de Literatura numa das idas à biblioteca, desde então, fico de olho no PSPL, tantos nos finalistas quantos vencedores, porque "vai que descubro um livro para amar?!

Decidi fazer uma postagem com as sinopses e biografias d@s 21 finalistas desse ano para que possamos fazer nossas apostas, hehe. No final, digo para quem estou torcendo ;)

21 finalistas foram escolhidos entre 215 livros inscritos; a premiação, destinada a romances publicados em 2014, oferece no total R$ 400 mil aos vencedores.                    Estão na disputa autores de dez estados: Rio de Janeiro (6), Rio Grande do Sul (2), Santa Catarina (1), São Paulo (2), Paraná (1), Pernambuco (2), Espírito Santo (1), Minas Gerais (4), Rio Grande do Norte (1) e Ceará (1). Continue lendo.


MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO 2014


Alberto Mussa – A Primeira História do Mundo (Record)
O novo livro do mais original e criativo ficcionista brasileiro. O romance baseia-se em parte da documentação de um caso real – o primeiro registro formal de um assassinato no Rio de Janeiro, de 1567, crime passional, história de adultério, que enredou, entre acusados e testemunhas, espantosos 15% da população [que não passava de 400] da cidade então – para tecer uma deliciosa trama policial, em que os mitos fundadores do Brasil, sobretudo os indígenas, associados à própria tradição do gênero literário policial, serão fundamentais para a solução do caso.
A primeira história do mundo é, sem dúvida, o mais popular dos livros do autor. 

Alberto Mussa nasceu no Rio de Janeiro em 1961. Sua ficção abarca o conto e o romance, com destaque para o "Compêndio mítico do Rio de Janeiro", série de cinco novelas policiais, uma para cada século da história carioca. Recriou a mitologia dos antigos tupinambás; traduziu a poesia árabe pré-islâmica; escreveu, com Luiz Antônio Simas, uma história do samba de enredo; e organizou, com Stéphane Chao, o "Atlas universal do conto". Ganhou os prêmios Casa de Las Américas e o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) por “O Enigma de Qaf “(Record). Em 2006, venceu novamente o APCA e ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, por “O movimento pendular” (Record). Em 2011, venceu o Prêmio Machado de Assis por “O senhor do lado esquerdo” (Record). Suas obras estão publicadas em 17 países e 14 idiomas.


Antônio Xerxenesky – F (Rocco)
Uma assassina profissional é contratada para matar ninguém menos que o diretor do clássico Cidadão Kane, Orson Welles. A tarefa, no entanto, mostra-se mais árdua do que o esperado e leva a jovem protagonista a fazer uma viagem pelo universo do cinema repleta de referências à música e à cultura pop. Mesclando influências diversas numa trama que aborda também a ditadura brasileira, o exílio e os rumos da cultura, o gaúcho Antônio Xerxenesky mostra por que foi um dos 20 escolhidos para fazer parte da prestigiosa revista Granta dos autores brasileiros mais promissores de sua geração.

Antônio Xerxenesky é escritor e tradutor brasileiro nascido em 1984, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Teve textos publicados em diversos jornais e revistas, como The New York Times, Newsweek, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Alguns de seus contos foram traduzidos para o inglês, espanhol e alemão. Em 2012, foi eleito pela revista inglesa Granta, com publicação no Brasil, como um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros. "F" é o segundo romance do escritor gaúcho, que atualmente vive em São Paulo.


Chico Buarque – O Irmão Alemão (Companhia das Letras)
A narrativa se estrutura numa constante tensão entre o que de fato aconteceu, o que poderia ter sido e a mais pura imaginação. Na São Paulo dos anos 1960, o adolescente Francisco de Hollander, ou Ciccio, encontra uma carta em alemão dentro de um volume na vasta biblioteca paterna, a segunda maior da cidade. Em meio a porres, roubos recreativos de carros e jornadas nem sempre lícitas a livros empoeirados, surgem pistas que detonam uma missão de vida inteira. Ao tentar traçar o destino de seu irmão alemão, parece também estar em jogo para o narrador ganhar o respeito do pai, que, apesar dos arroubos intelectuais de Ciccio, tem mais afinidade com Domingos, ou Mimmo, seu outro filho, galanteador contumaz, leitor da Playboy e da Luluzinha, e sempre a par das novas sobre Brigitte Bardot. A despeito das tentativas de mediação da mãe, Assunta - italiana doce e enérgica, justa e com todos compreensiva -, a relação dos irmãos é quase feita só de silêncio, competição e ressentimento.
Num decurso temporal que chega à Berlim dos dias presentes, e que tem no horror da ditadura militar brasileira e nos ecos do Holocausto seus centros de força, O irmão alemão conduz o leitor por caminhos vertiginosos através dessa busca pela verdade e pelos afetos.

Chico Buarque é músico, dramaturgo e escritor nascido em 1944 no Rio de Janeiro. É conhecido por ser um dos maiores nomes da música popular brasileira, tendo lançado cerca de oitenta discos. Na carreira literária, foi vencedor de três Prêmios Jabuti: o de melhor romance com “Estorvo” (Companhia das Letras, 1991) e o de livro do ano, tanto pelo livro “Budapeste” (Companhia das Letras, 2003), como por “Leite Derramado” (Companhia das Letras, 2009).


Cristovão Tezza – O Professor (Record)
O professor Heliseu será homenageado por uma carreira exemplar na universidade à qual dedicou a maior parte de sua vida. Enquanto prepara o discurso de agradecimento — justo ele, tão acostumado a transformar assuntos espinhosos em grandes aulas — é tomado por uma sucessão incontrolável de memórias e revisita momentos nem sempre felizes de sua vida: a convivência com o pai rígido; a morte da mãe, o tempo no seminário; o casamento com Mônica; o relacionamento conturbado com o filho; a paixão pela misteriosa Therèze. As lembranças se cruzam com a história do Brasil, desde o regime militar aos governos mais recentes, e o acerto de contas de Heliseu com seu passado transforma-se também no acerto de contas de um país com sua história.

Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1952, e vive em Curitiba desde a infância. É autor de uma dezena de livros desde “Trapo” (Editora Brasiliense, 1988). Entre os destaques, pode-se citar os premiados “O Fotógrafo” (Rocco, 2004), que ganhou o Prêmio Academia Brasileira de Letras em 2005 e “O Filho Eterno” (Record, 2007), que ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura 2008, o Prêmio Jabuti 2008, e Prêmio Portugal Telecom 2008. Em 2012, lançou “O Espírito da Prosa” (Record), autobiografia literária.


Estevão Azevedo – Tempo de Espalhar Pedras (Cosac Naify)
Devoto de qualquer entidade que confirme sua predestinação, Silvério crê que irá encontrar a grande pedra, mesmo quando até as pequenas rarearam. Rodrigo, um dos filhos de Diogo, sente um desejo irresistível por Ximena, filha do maior desafeto de seu pai. Outro filho de Diogo, Joca, diz ter matado nos gerais o famigerado Rosário, e mantém uma amizade com um homem de vida pródiga e sem lastro que a justifique. Sancho, que largou o garimpo para servir ao coronel, vive amancebado com a índia que dorme em seu terreno e que só emite palavras incompreensíveis.

Nas muitas serras ao redor do vilarejo, quando já não há solo que não tenha sido maculado por explosões e picaretas, os homens têm a fatal percepção: as únicas superfícies ainda intocadas e que podem esconder pedras preciosas são aquelas em que suas próprias casas estão erguidas. É nessa essa moldura que as diversas tramas do romance estão inseridas: a do vilarejo paulatinamente destruído por homens que, tomados pelo desespero e pela cobiça, buscam sob vielas e praças, sob salas, quartos, cozinhas e quintais suas últimas esperanças de sobrevivência ou fortuna.

Estevão Azevedo nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, e atualmente vive na cidade de São Paulo. Formado em jornalismo e letras, é editor e escritor. Publicou os livros de contos, “O Terceiro Dia” (2004) e “O som do nada acontecendo” (2005), pelo coletivo Edições K. Seu primeiro romance “Nunca o Nome do Menino” (Terceiro Nome, 2008) foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2009. Tem contos publicados em revistas e na antologia de escritores brasileiros "Popcorn unterm Zuckerhut - Junge brasilianische Literatur", lançada em 2013 na Alemanha. “Tempo de Espalhar Pedras” é sua obra mais recente.


Evandro Affonso Ferreira – Os Piores Dias da Minha Vida Foram Todos (Record)
Em Os piores dias de minha vida foram todos, o leitor se vê diante de um diálogo imaginário da narradora uma mulher em um leito de hospital ao caminhar nua pelas ruas da metrópole. Em seus devaneios, observa a vaidade humana enquanto relembra suas perdas e a relação com o amigo escritor falecido. Assemelha seus dramas aos da figura mitológica Antígona.
Evandro Affonso Ferreira exerce um ritmo acertado para a personagem que já não vê mais esperança na vida.

Com este livro Evandro atinge o ápice de suas histórias começadas em Minha mãe se matou sem dizer adeus. Trata-se do notável arremate da trilogia composta também por O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam.

Evandro Affonso Ferreira nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 1945 e vive há mais de 40 anos em São Paulo. Fundou os sebos Sagarana e Avalovara, antes de surgir na literatura com o livro de minicontos “Grogotó!” (Topbooks, 2000). Nos anos seguintes publicou os romances “Araã!” (Hedra, 2002) e “Erefuê” (Editora 34, 2004), “Zaratempô!” (Editora 34, 2005) e “Catrâmbias!” (Editora 34, 2006). Em 2006, participou da coletânea “Lembranças do Presente – o conto contemporâneo“ (Cotovia, Lisboa). Em 2010, pela editora Record, publicou “Minha Mãe se Matou Sem Dizer Adeus“, que foi eleito o melhor romance do ano pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Em 2013, ganhou o prêmio Jabuti, com o romance “O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam“ (Record, 2012).


Heloisa Seixas – O Oitavo Selo (Cosac Naify)
Um quase romance é como Heloisa Seixas define O oitavo selo, que tem por protagonista um personagem da vida real, seu marido, o escritor Ruy Castro. Intercalando ficção e realidade, em uma narrativa hipnótica que inclui beleza e horror, o livro mostra os diversos momentos de um homem diante da morte. Os selos a que se refere o título são os diferentes trâmites enfrentados, uma saga que inclui drogas, alcoolismo e doenças gravíssimas. Com muitas referências literárias, musicais e cinematográficas o livro é resultado da parceria de vida desses dois escritores brasileiros, começada há mais de vinte anos. 

Heloisa Seixas nasceu em 1952 no Rio de Janeiro e formou-se em jornalismo em 1974 pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Trabalhou como jornalista e tradutora durante muitos anos, antes de se dedicar à literatura. Seu primeiro livro de contos, “Pente de Vênus – E novas histórias do amor assombrado“ (Sulina,1995), foi finalista do Prêmio Jabuti. Foi outras duas vezes finalista do Jabuti, com os romances “A porta“ (Record, 1996) e “Pérolas absolutas“ (Record, 2003). Sua produção trafega pela crônica, literatura juvenil e infantil e, nos últimos anos, peças de teatro. É autora de um livro sobre o mal de Alzheimer, “O Lugar Escuro“ (Objetiva, 2007). Sua obra mais recente é “O Oitavo Selo”, uma mistura de ficção e realidade que foi editado em 2014 pela Cosac Naify.


João Anzanello Carrascoza – Caderno de Um Ausente (Cosac Naify)
Neste segundo romance, a estrutura formal continua a ser a principal pesquisa literária do autor. Como o título traz, o narrador desta história, um homem de cinquenta e tantos anos, escreve em um caderno anotações de vida para sua filha recém-nascida, Beatriz. Temeroso de que não acompanhará a maturidade da filha, uma vez que a diferença de idade é muito grande, o homem se põe a narrar a história da família entremeando por impressões filosóficas e poéticas sobre a trajetória de uma vida. A intenção do pai, porém, não é mostrar uma verdade, mas sim a delicadeza - "e eu só sei, Bia, que, em breve, não estaremos mais aqui, e, enquanto estivermos, eu quero, humildemente, te ensinar umas artes que aprendi, colher a miudeza de cada instante, como se colhe o arroz nos campos, cozinhá-la em fogo brando, e, depois, fazer com ela um banquete".Mas mesmo essas palavras, que compõem pequenos trechos escritos ao longo do primeiro ano de vida da criança, não são suficientes para satisfazer o pai - "eu ia te contar o segredo do universo como quem sussurra uma canção de ninar, mas eu não posso, filha, eu só posso te garantir, agora que chegastes, a certeza da despedida". 

No texto deste "caderno", o leitor pode acompanhar também a inquietação do pai, ao longo de um ano, pela saúde da mãe de Bia, que vive doente e requer cuidados tanto quanto a criança. O leitor irá reparar que o texto diagramado apresenta espaços em branco ao estilo de Dos Passos - além de expressarem os vazios que a ausência já ocupa, são hesitações deste pai ao tentar escrever a educação sentimental para a filha.

João Anzanello Carrascoza nasceu em Cravinhos, em São Paulo, em 1962. É escritor e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Estreou com o livro de contos “Hotel solidão“ (Scritta, 1994). Publicou outros contos como “Dias raros“ (Planeta, 2004), “O Volume do Silêncio“ (Cosac Naify, 2006), “Espinhos e Alfinetes“ (Record, 2010), “Amores Mínimos“ (Record, 2011) e “Aquela Água Toda“ (Cosac Naify, 2012). Tem obras voltadas para o público infantojuvenil, como "Aprendiz de inventor" (Ática, 2013) e “Meu avô Espanhol“ (Panda Books, 2008). Algumas de suas histórias foram traduzidas para croata, espanhol, francês, italiano, inglês e sueco. Recebeu os prêmios Jabuti, Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Fundação Biblioteca Nacional, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e o prêmio internacional Guimarães Rosa, da Rádio France.


Silviano Santiago – Mil Rosas Roubadas (Companhia das Letras)
Como nasce e de que se alimenta o afeto entre dois adolescentes do mesmo sexo? Da solidão em família, do repúdio à rotina estudantil, das caminhadas pela metrópole? Como esse afeto se frustra e se transforma em amizade duradoura?
No ano de 1952, dois rapazes se encontram em Belo Horizonte à espera do mesmo bonde. O acaso os transforma em amigos íntimos. Passam-se sessenta anos. Numa tarde de 2010, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável.
Encantam-se na juventude com o charme de Vanessa, tutora literária. Com Marília, aprendem a ouvir o jazz de Ma Raney e se envolvem em impossível triângulo amoroso. Distanciam-se: um faz doutorado em Paris, o outro, jornalismo em São Paulo. Reencontram-se no Rio de Janeiro, mas se afastam pelo estilo de vida: do mundo das drogas e do rock’n’roll, Zeca ridiculariza o acadêmico realizado e infeliz.

Escrito na tradição literária mineira, Mil rosas roubadas se informa na poesia memorialista de Carlos Drummond, na prosa de Ciro dos Anjos e de Fernando Sabino. Corajoso, Silviano Santiago reúne fragmentos de um discurso amoroso para tematizar mais uma vez a homoafetividade - já presente nos livros Stella Manhattan e Keith Jarrett no Blue Note. Se Zeca é seu personagem principal, são muitos os coadjuvantes do mundo pop e erudito, como Vladimir Nabokov, Dorothy Parker, Paulo Autran e Keith Richards. Além de pôr em xeque os limites entre ficção e memória, biografia e autobiografia, este romance à clef oferece ainda o rico testemunho de uma época e de uma amizade excepcional.

Silviano Santiago nasceu em Formiga, Minas Gerais, em 1936, e mora atualmente no Rio de Janeiro. É escritor, crítico literário e professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre suas obras de ficção destacam-se “Em liberdade“ (1981), que ganhou o prêmio Jabuti de romance, “Stella Manhattan“ (1985), e “Heranças“ (2008), que ganhou o prêmio Academia Brasileira de Letras de melhor romance. Recebeu o prêmio para conjunto de obra, concedido pelo Governo do Estado de Minas Gerais, o prêmio Machado de Assis, outorgado pela Academia Brasileira de Letras, e, em 2014, o prestigioso prêmio ibero-americano de literatura José Donoso, concedido pelo Chile.


Socorro Acioli – A Cabeça do Santo (Companhia das Letras)
Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará.
Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor.
Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele irá descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai e se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo.

Socorro Acioli nasceu em Fortaleza, em 1975. É jornalista, mestre e doutora em estudos de literatura pela Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro. Foi bolsista da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique e aluna de Gabriel García Márquez, na oficina Como contar um conto, em Cuba. Escreveu diversos livros, como “Ela Tem Olhos de Céu“ (Editora Gaivota, 2012), que recebeu o Prêmio Jabuti de literatura infantil em 2013.


MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO

AUTOR ESTREANTE COM MAIS DE 40 ANOS



Eliana Cardoso – Bonecas Russas (Companhia das Letras)
Desde pequena, Leda foi tímida e sonhadora. Adorava lendas e colecionava mitos. Tendo herdado o interesse, mas não o talento artístico da mãe, tornou-se dona de uma galeria de arte. Já Lola sempre foi decidida e mandona. Obcecada por teatro, escrevia e distribuía papéis entre as amigas para as pequenas produções que seriam apresentadas nos aniversários. Quando cresceu, virou jornalista. 'Bonecas russas' é a história de Lola e de Leda, mas é também a história de Francisca, mãe de Leda, que a abandonou quando criança e nunca conseguiu restabelecer uma relação saudável com a filha. É a história de Odete, mãe de Lola, que se envolveu em um escândalo acompanhado por toda a cidadezinha de interior em que morava. É a história de Rosália, irmã de Francisca, a tia solteira que acabaria por criar as duas meninas juntas. E é a história de Miranda, filha do primeiro casamento do marido de Leda, que cresceria e também se tornaria jornalista, como Lola. O resultado é um emaranhado de relações que nem sempre são sempre claras, ideais ou mesmo construtivas, mas que vão se desdobrando até a revelação dos mistérios que cada uma dessas seis mulheres pretendera guardar apenas para si. Em sua estreia na ficção, Eliane Cardoso cria uma narrativa inteligente, original e surpreendente, composta de múltiplas vozes, todas especiais à sua maneira.

Eliana Cardoso nasceu em Belo Horizonte e se formou em economia na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Concluiu o mestrado na Universidade de Brasília (UNB) e o doutorado em Economia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Trabalhou para o Banco Mundial na China, Índia e Paquistão. Foi professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Publicou mais de quarenta trabalhos em revistas acadêmicas e é autora de diversos livros sobre economia. Estreou na ficção em 2014 com a novela “Bonecas Russas“. Atualmente é colunista do jornal Valor Econômico e mora em São Paulo.


Elisa Lucinda  - Fernando Pessoa, O Cavaleiro de Nada (Record)

Em seu primeiro romance, Elisa Lucinda mistura sua voz à de Fernando Pessoa, tecendo uma narrativa que une escritos do poeta às suas palavras de leitora e, assim, recriar a biografia daquele que registrou seus pensamentos, desassossegos, amores, humores e opiniões em versos, diários, cartas, ensaios e fragmentos. Da leitura das palavras de Pessoa, Lucinda extraiu os principais eventos de sua vida, desde a criação de seu primeiro poema até seu último suspiro, passando por suas relações familiares, sua visão de Portugal, suas viagens na África, seu movimento como poeta da vanguarda portuguesa e o surgimento seus principais heterônimos – entre eles Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares e o primeiro de todos, o Cavaleiro de Nada. É de forma lírica, sem prescindir do tom sarcástico de Pessoa, que a escritora brasileira guia tanto o leitor iniciado quanto aquele que busca conhecer suas palavras pela vida e pela obra de Pessoa.

Elisa Lucinda nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1958. É poeta, jornalista, professora, atriz e cantora. Tornou-se conhecida do grande público por seu trabalho no teatro, televisão e cinema. Em 2009 ganhou o prêmio Mulher Cidadã – Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal. Tem onze livros publicados, entre eles “O Semelhante“ (Record, 1995), “Eu Te Amo e Suas Estreias“ (Record, 1999) e “A Fúria da Beleza“ (Record, 2006). “A Menina Transparente“ (Salamandra, 2000) recebeu a nota Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). É fundadora da Casa Poema, espaço no Rio de Janeiro que ensina poemas e poesias.


Heliete Vaitsman – O Cisne e o Aviador (Rocco)
Mesclando ficção e dados reais, a jornalista Heliete Vaitsman assina o fascinante romance histórico O cisne e o aviador, inspirado na controversa trajetória de Herberts Cukurs, lendário piloto e engenheiro de aviação que se tornou herói nacional da Letônia até a ocupação nazista, quando foi apontado responsável pela morte de mais de 30 mil judeus. Cukurs se estabeleceu no Brasil em 1946, tendo inaugurado o pedalinho da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, e foi assassinado em Montevidéu por agentes do Mossad, o serviço de inteligência israelense, quase 20 anos depois.

Heliete Vaitsman é jornalista, tradutora e sócia de uma agência literária. Graduada em Comunicação Social e Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-graduada em Tradução pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e Georgetown University. Foi colunista e redatora do jornal carioca O Globo, repórter do Jornal do Brasil e trabalhou no Banco Mundial em Washington. O romance histórico “O Cisne e o Aviador“ é sua estreia na literatura.


Micheliny Verunschk – nossa Teresa - Vida e Morte de uma Santa Suicida (Patuá)



Micheliny Verunschk nasceu em Recife, Pernambuco, em 1972. Estreia no gênero romance com “Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida“, projeto que contou com patrocínio da Petrobras Cultural. Também é autora dos livros “Geografia Íntima do Deserto“ (Landy, 2003), "O Observador e o Nada" (Edições Bagaço, 2003) e “A cartografia da Noite“ (Lumme Editor, 2010). Foi finalista, em 2004, ao prêmio Portugal Telecom com “Geografia Íntima do Deserto“. É doutoranda em Comunicação e Semiótica e mestre em Literatura e Crítica Literária, ambos pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.


Míriam Leitão – Tempos Extremos (Intrínseca)
Quantos mistérios uma antiga fazenda perdida entre as serras das Minas Gerais pode guardar? Mistérios que chegam de forma inesperada, revelando passados diversos a uma família dividida por conflitos afetivos e políticos e ali sitiada por causa das chuvas. É o que Larissa, jovem deslocada entre os seus, descobrirá, em uma estranha jornada na qual perseguirá sombras e segredos para encontrar desejos autênticos e entender os próprios sonhos.
No primeiro romance da consagrada jornalista Míriam Leitão, o leitor não encontra espaço para respirar. É uma história de paixões extremas, sobre tempos extremos, urdida com sutileza e convicção. Uma viagem às vezes em quase delírio pelos flagelos da escravidão, no século XIX, e os subterrâneos do regime militar, no século XX.
A narrativa se passa no século XXI, mas as linhas temporais são rompidas. Assim, as paredes centenárias da fazenda, o cemitério onde eram lançados os negros que chegavam ao cais do porto do Rio de Janeiro à beira da morte, após a travessia do Atlântico, e as celas das prisões arbitrárias promovidas pela ditadura dialogam entre si quase como personagens, na busca por verdades escondidas.
No entremeio, as relações tormentosas entre pais e filhos e entre irmãos tecem uma trama densa e ousada que revisita passados que o Brasil tem preferido deixar acobertados pelo silêncio.
[...] Relato envolvente que mescla acontecimentos do presente, do século XIX e da ditadura militar.

Míriam Leitão nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 1953. É jornalista e atua em televisão, rádio, jornal e mídia digital. Formada na Universidade de Brasília (UNB), é autora do romance “Tempos Extremos“ (Intrínseca, 2014) e de três obras infantis. Em quarenta anos de profissão, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia, de Nova York. Ganhou o Jabuti de livro do ano de não ficção e livro-reportagem em 2012 por “Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda“ (Record, 2011). Em 2015, lançou “História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI“, editado pela Intrínseca.


Rodrigo Garcia Lopes – O Trovador (Record)
Romance policial escrito nos moldes de grandes narradores como Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, O Trovador nos leva à Londrina dos anos 1930, cidade criada à imagem da capital inglesa. É na paisagem dos trópicos que o tradutor Adam Blake e lorde Lovat, presidente da companhia de terras britânica Parana Plantations, buscarão a chave dos mistérios que se escondem nas entrelinhas de uma canção medieval.

Rodrigo Garcia Lopes dá vida a aventureiros, estrangeiros de passado obscuro, trabalhadores sujos de serragem, fazendeiros engravatados e empresárias da noite, personagens que nos ajudam a desvendar uma série de assassinatos tem como pista a poesia. Um dos poetas mais consistentes de sua geração, Garcia Lopes prova, em sua estreia na ficção, ser um narrador completo.

Rodrigo Garcia Lopes nasceu em Londrina, Paraná, em 1965. É poeta, compositor, jornalista e tradutor de autores como Walt Whitman, Sylvia Plath e Arthur Rimbaud. Deu aulas de literatura brasileira, anglo-americana e teoria literária na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Fundação Universidade de Rio Grande (FURG). É autor de diversos livros de poemas, entre eles “Estúdio realidade“ (Editora 7 Letras, 2013), finalista do Prêmio Portugal Telecom em 2014. Foi finalista do Prêmio Jabuti em 2005, na categoria melhor livro de poesia, com “Nômada“ (Lamparina, 2004) e, no ano seguinte, na categoria melhor tradução, com “Folhas de Relva“, de Walt Whitman.


Vanessa Maranha – Contagem Regressiva (Selo Off Flip)
Em Contagem Regressiva, a autora cria uma narrativa tensa e as vezes elíptica, mas sempre contundente ao retratar a profunda inquietação de um homem que em criança perseguia um antídoto contra a morte e que no final da vida se interna voluntariamente em uma clínica psiquiátrica. 


Vanessa Maranha nasceu em São Caetano do Sul em 1972, vive em Franca, é jornalista e psicóloga e participou de três antologias locais de contos. Publicou o livro “Cadernos Vermelhos“ (Fragmentos, 2003) e foi finalista no Prêmio Guimarães Rosa, da Rádio France, em 2001. Foi classificada em primeiro lugar no concurso de contos Realismo Fantástico Locos de Atar, na Argentina, em 1999. Em julho de 2004, venceu concurso de contos da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em Minas Gerais. Em 2005, teve um texto publicado no livro “+30 mulheres que fazem a nova literatura brasileira“, organizado por Luiz Ruffato e editado pela Record.


MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO

AUTOR ESTREANTE COM MENOS DE 40 ANOS



Débora Ferraz – Enquanto Deus Não Está Olhando (Record)


O romance de estreia de Débora Ferraz, Enquanto Deus não está olhando, narra a história de Érica, uma jovem artista plástica em busca do pai, que fugiu do hospital que estava internado. Érica procura possíveis rastros que ele possa ter deixado e a partir de pequenas memórias tenta entender a relação com o pai. Enquanto Deus não está olhando é sobre o que a autora chama de instante modificador, aquele ínfimo de segundo que pode transformar completamente a trajetória de alguém. Também é sobre a perda e a insegurança de ingressar na idade adulta sem preparo.

Débora Laís Ferraz dos Santos nasceu em 1987, em Serra Talhada, Pernambuco. Mudou-se em 2001 para João Pessoa, onde formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Escreveu seu primeiro livro, “Os anjos”, em 2003. O conto “O Filhote de Terremoto” foi finalista do Prêmio SESC de Contos Machado de Assis de 2012, e adaptado para o cinema no curta-metragem “Catástrofe” (2012). A escritora venceu o Prêmio Sesc de Literatura de 2014 na categoria romance com “Enquanto Deus não está olhando”.

André Viana – O Doente (Cosac Naify)
Numa série de entrevistas gravadas, um homem repassa os principais momentos de sua vida a partir da morte do pai, de câncer, no dia do seu aniversário de onze anos. O doente é a história de alguém que procura sentido numa trajetória marcada por sucessivas tragédias familiares — mas sem abrir mão de boas doses de humor e Jack Daniel’s.

André Viana nasceu em 1974, no Rio de Janeiro, mas viveu a infância e a adolescência em Aracaju, Sergipe. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), trabalhou nas revistas Playboy e Veja, no suplemento cultural do jornal Gazeta Mercantil e na editora Trip. Hoje, além de tradutor, dirige uma pequena editora especializada em histórias de família. ”O Doente” é seu primeiro romance, publicado em 2014.


Caio Yurgel – Samba Sem Mim (Saraiva | Benvirá)
João Pedro é obrigado a fugir de sua terra natal e se esconde na terra de seus avós. Estes que haviam fugido de uma Alemanha em guerra e, sem escolha, desembarcaram no Brasil de Getúlio Vargas, sem direito a falar sua própria língua. Instalado em Berlim, João Pedro vai descobrir aquilo que seus avós já tinham experimentado aqui: o sentimento de não pertencer. Sua mãe era filha de alemães e dela não restou nada, nem o sobrenome. João Pedro não tinha nem um sobrenome alemão que pudesse lhe dar algum conforto no país. Esse romance de Caio Yurgel explora esse não lugar vivido pelo personagem central, sentimento intensificado ao longo da narrativa pelas histórias das pessoas que cruzam seu caminho: os jovens filhos de turcos, que são “turcos na Alemanha e alemães na Turquia”. O filósofo Ján Kováč, que mora em Berlim desde que era estudante, mas é eslovaco. Alice, a quem ele procura como se procurasse a si mesmo. Anka, que anseia preencher as páginas em branco de sua própria história. E mesmo os alemães, os eternos culpados. Cada um vivendo seu exílio, a sua “impossibilidade da poesia”. O leitor tem em mãos uma narrativa contundente, a história de um homem cindido como uma Berlim, cindido como uma Alemanha do pós-guer

Caio Yurgel nasceu no Rio Grande do Sul e, atualmente, vive e trabalha em Berlim. Foi vencedor do Prêmio OFF Flip de Literatura na categoria contos (2010), do III Concurso Mário Pedrosa de Ensaios Sobre Arte e Culturas Contemporâneas (2010) e do IV Prêmio Nacional Ideal Clube de Literatura (2012). É autor de “A estética do espetáculo: Cinco teses em Walter Benjamin”, pela NEA Edições.


Mariana Portella - O Outro Lado da Sombra (Rocco)
Um sujeito inseguro, ansioso e um tanto depressivo que tem dois únicos prazeres na vida: a música e a literatura. Desacreditado desde a infância até mesmo pela mãe, Soren nunca soube o significado de felicidade. Mas nunca desistiu de tentar se encontrar e de buscá-la. Soren é o protagonista de O outro lado da sombra, romance de estreia da carioca Mariana Portella. No livro, ele experimenta uma experiência de quase-morte após um incidente numa viagem a Dublin. Ao acordar de um coma de quase um mês, Soren aos poucos vai decifrando os “sinais” que a vida envia a todo momento e finalmente encontra o amor e a paz interior que tanto buscava, num desfecho surpreendente.

Mariana Portella nasceu no Rio de Janeiro e é formada em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com doutorado e mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde muito cedo convive com livros e literatura. É filha do acadêmico e imortal Eduardo Portella e tem como autores favoritos nomes como Clarice Lispector, Ítalo Calvino, Jean-Paul Sartre, Nélida Piñon, Lygia Fagundes Telles e Robert Walser. “O Outro Lado da Sombra” é o romance de estreia da autora.


Parvatis está na torcida por... Socorro Acioli Elisa Lucinda.

A solenidade de entrega dos troféus as/aos vencedor@s está marcada para o dia 30 de novembro, tanto local quanto horário será divulgado ainda.
Recomendo que fique de olho no sitio e Facebook do Prêmio para maiores informações.



Fonte das informações:
Sinopses e Capas: http://www.skoob.com.br/
Biografias: http://www.premiosaopaulodeliteratura.org.br/ 

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