5 de julho de 2014

Fragmento de Sábado #12

Após ler a resenha da Pipa fiquei com a forte impressão de que gostaria de Eleanor & Park da Rainbow Rowell. Li e gostei, é claro. 
Percebo que gostei bastante de um livro quando muitas linhas dele enroscam-se em mim
A história de Park e Eleanor tocou-me profundamente e alguns trechos me deixaram suspensa, lia as palavras seguintes mas sentia que ainda não havia voltado ao chão. 
Foi uma leitura divertida, agradável que também deixou meu coraçãozinho apertado em alguns momentos (obrigada, Mindy, mãe do Park, pela conversa na véspera de Natal. Chorei.)

Se já sou uma negação com as palavras, quando preciso falar de uma história, aí me complico, ainda mais. 
Então vou deixá-lo com uns trechos bem compridos que gostei - um pouco mais - do livro. 


"[...] No dia anterior, a caminho de casa, o ônibus teve de dar uma volta de quinze minutos devido a um encanamento estourado. Steve começou a reclamar porque precisava chegar ao posto de gasolina em que trabalhava. Então, Park disse:
– Uau...
– O quê? – Eleanor passara a se sentar na janela, onde se sentia mais segura, menos exposta, como se pudesse de fato fingir, às vezes, que o ônibus era só deles.
– Posso estourar canos com a mente.
– Mas que mutação mais limitada – disse ela. – Qual é seu codinome?
– Meu codinome... hum... – e aí ele começou a rir e puxou um dos cachinhos dela. (Esta era a supernovidade, o toque nos cabelos. Às vezes, ele vinha por trás dela na escola e lhe puxava o rabo de cavalo ou lhe dava um tapinha no coque.)
– Hum... Não sei qual seria meu codinome – ele falou.
– Que tal Funcionário Público? – disse ela, colocando sua mão sobre a dele, dedo com dedo. Os dela eram bem menores, mal passando da metade dos dele. Devia ser a única parte dela que era menor do que ele.
– Você é mesmo uma menininha – ele comentou.
– O que quer dizer?
– Suas mãos. Elas são tão... – Ele tomou uma das mãos dela dentro das dele. – Sei lá... vulneráveis.
– Mestre dos Canos – ela sussurrou.
– Oi?
– Seu codinome de super-herói. Não, espera, Encanador. Tipo o Super Mario!
Ele riu e puxou outro cachinho.
Essa fora a mais longa conversa que tiveram em duas semanas. Ela começou a escrever-lhe uma carta – começou um milhão de vezes –, mas parecia uma coisa tão oitavo ano. O que poderia escrever?
“Querido Park, gosto de você. Seu cabelo é muito bonito.”
Ele tinha mesmo um cabelo muito bonito. Muito, muito. Curtinho atrás, mas meio longo e bagunçado na frente. Era quase totalmente liso e quase totalmente negro, o que, em Park, parecia ser uma espécie de escolha de estilo de vida. Ele sempre usava preto, praticamente dos pés à cabeça. Camisetas pretas de punk rock por baixo de camisas de manga comprida pretas. Tênis pretos. Jeans azul. Quase tudo preto, quase todo dia. (Ele tinha uma camiseta branca, mas com os dizeres “Bandeira preta” na frente, em grandes letras pretas.)
Sempre que Eleanor usava preto, sua mãe dizia que parecia que ela estava indo a um funeral, num caixão. Enfim, era normal ela dizer esse tipo de coisa quando notava, vez ou outra, o que Eleanor estava vestindo. Eleanor teve de usar alfinetes do kit de costura da mãe para prender retalhos de
seda e de veludo a fim de tampar os buracos dos jeans, e a mãe nem comentou nada.
Park ficava bem de preto. Parecia um desenho feito a carvão. Sobrancelhas grossas e arqueadas. Cílios curtos e negros. Bochechas salientes, brilhantes.
“Querido Park, gosto muito de você. Você tem bochechas muito bonitas.”
Apenas não gostava de pensar sobre Park o que raios ele poderia ter visto nela."
Capítulo 16



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Fonte
"Ela parecia outra pessoa, e Park não sabia se gostava mais assim. Ou se gostara de fato.
Ele não conseguia entender por que aquilo a deixara tão chateada. Às vezes, parecia que ela tentava esconder tudo que tinha de bonito. Como se quisesse ser feia.
Isso era algo que a mãe dele diria. Motivo pelo qual ele não dissera nada a Eleanor. (Agir assim contava como esconder alguma coisa?)
Compreendeu por que Eleanor se esforçava tanto para parecer diferente. Ou quase. Era porque ela era diferente, e porque queria ser. E porque não tinha medo de ser. (Ou talvez tivesse mais medo de ser como os demais.)
Havia algo de muito excitante nisso tudo. Ele gostava de ficar perto dessa espécie de bravura louca.
“Desconcertante como?”, queria ter perguntado.
Na manhã seguinte, Park levou o delineador ônix para o banheiro e passou. Fez mais sujeira do que a mãe, mas pensou que ficaria mais legal. Mais masculino.
Olhou-se no espelho. “Isso aqui faz o olho destacar”, dizia a mãe dele às clientes, e era verdade. O delineador destacava mesmo os olhos. E o fazia parecer ainda menos branco.
Em seguida, Park ajeitou os cabelos como costumava fazer: espetado no meio, bagunçado e para o alto, como se quisesse alcançar alguma coisa. Geralmente, assim que terminava, Park penteava o cabelo e o abaixava de novo.
Naquele dia, deixou-o bagunçado."
Capítulo 35


Rowell, Rainbow. Eleanor & Park. Tradução Caio Pereira. Barueri, SP : Novo Século Editora, 2013.

4 comentários:

  1. deve ser um livro bem fofo. :D
    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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    1. É sim, Val, vale a pena dar uma conferida :3

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  2. Sinto que o universo está conspirando para me fazer ler esse livro...rs
    bjo

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  3. Leia, Mig, acho que você vai curtir *.*

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