15 de junho de 2013

Fragmento de Sábado #8

Baseado no meme Fragment Friday, criado por James do Book Chic, com o objetivo de compartilhar um trecho/ fragmento/quote do livro que estou lendo. 

Além de fragmentos de sentimentos da Maurinha aqui...

Está difícil, está difícil... Maio foi um mês pesado, mas junho está sendo pesadíssimo... Se você lê jornais ou acompanha redes sociais já deve estar a par dos primeiros quatro atos contra a redução da tarifa do transporte público em SP, e dos atos que aconteceram em outras cidades do país e que acontecerão... E só não viu as lágrimas que milhares de pessoas derramaram em decorrência das bombas que foram jogadas contra nós porque após respirar aquilo ninguém lembra em gravar a reação das pessoas, o desespero, a angústia de perder o ar e achar que vai morrer pisoteada ou levar um tiro e acho que nem é necessário uma gravação, a leitura de relatos dos manifestantes atacados pela polícia militar, uma multidão pacífica e desprotegida apenas munida de sua voz e bandeiras, já deve passar um pouco da sensação asfixiante. 
Bom, eu senti vontade de desistir de tudo... 
Da minha cidade, do meu curso [até das Letras, até delas!] diante do que senti na quinta-feira, não sofri nem um milésimo dos que as pessoas feridas por tiros de borracha [que se não matam, cegam!!!]  ou estilhaços de bombas, não passei nem 5 minutos respirando aquele gás imundo e me agarrando em desconhecidos, não passei... Mas a impotência dói, dói muito. E eu não quero me sentir impotente, ridícula novamente, não quero sentir que sou mais uma cidadã apenas no nome e não ver os meus direitos e os dos meus vizinhos, amigos e daqueles desconhecido que molhou a blusa que eu usava para tapar meu nariz e boca com vinagre e me fez respirar de novo, não, não quero saber que crianças morrem diariamente de fome ou na mão dos bandidos dos governantes porque nasceram com a pele da mesma cor que a minha mas que não tiveram a oportunidade de uma escola e uns professores que me mostraram que ser mais uma na multidão não mudaria a situação que eu vivia e vivo, que ser mais uma ativista de sofá não me faria esquecer dos moleques que estudaram comigo no Fusco, saudosa E. E. Válter Fusco - em Guarulhos, perderam suas vidas nas mãos de policiais [apenas marionetes] a mando daqueles que minha mãe colocou no Poder almejando um futuro melhor... Bem, eu senti vontade de desistir. Mas, decidi que não... Não são só pelos 20 centavos [um símbolo, um estopim!!!] que fizeram falta para aquele menino que quis comprar um quilo de carne mas não pode porque o pai não tinha os centavos necessários para conseguir pagar aquela a carne moída, são pelos direitos que foram ano a ano sendo violados dos meus pais e do pai daquele menino. Basta! 

Esta longa introdução [leia-se desabafo!] é para dois fragmentos do livro Peter Pan, de J. M. Barrie que me fizeram sorrir após os primeiros atos e após quinta, eu adoraria chamar por Peter Pan ou seguir o caminho que ele nos ensina, até a Terra do Nunca: ''A segunda à direita, e depois sempre em frente, até de manhã'', mas eu decidi não desistir de sonhar e correr atrás do que desejo para NÓS! 

Fiquem com os fragmentos, bom final de semana! :)


''Eu não sei se alguma vez você já viu o mapa da cabeça de uma pessoa por dentro. Às vezes os médicos desenham mapas de outras partes suas e seu próprio mapa pode ser muito interessante. Mas eles nunca se metem a desenhar a mente de uma criança. Não só porque é muito confusa, mas porque ela fica girando sem parar. É cheia de linhas em ziguezague, parecidas com os gráficos de temperatura. Provavelmente essas linhas são estradas da ilha. Ah, sim, porque a Terra do Nunca é, sempre, mais ou menos uma ilha, com manchas surpreendentes de cores aqui e ali, com recifes de coral e embarcações cheias de mastros se fazendo ao largo, com selvagens e covis solitários, com gnomos que quase sempre são alfaiates, e com cavernas por ondem correm rios, com príncipes que têm seis irmãos mais velhos, e uma cabana que está caindo aos pedaços, e uma velha muito velha de nariz torto.''
Página 13


***
''Ela perguntou onde ele morava.
- A segunda à direita, e depois sempre em frente, até de manhã.
- Que endereço engraçado! 
Peter sentiu um aperto no coração. Pela primeira vez na vida, achava que talvez fosse mesmo um endereço engraçado.''
Página 34

Beigos!

3 comentários:

  1. Oi Maura, acho que estamos num momento de mudança ou pelo menos um início de mudança da mente dos brasileiros, acho que e um tempo bom, apesar de muitas pessoas compreenderem mal, por estarem completas cegas pela mídia que as cerca (e que leem) acredito que mudanças são gradativas nada se faz de uma hora pra outra, muita porcaria ainda vai acontecer para vir tempos bons mais tarde. :)
    E ainda não li Peter Pan :(
    bjos
    Melissa Padilha
    De Coisas por Aí

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  2. A minha pergunta para quase todas as pessoas que eu encontrava desde quinta feira era: "Qual a sua posição quanto as manifestações em SP?" Escutei opiniões variadas e a maioria delas eram baseadas em coisas que viram e ouviram através da mídia. Raríssimas vezes encontrei respostas que coincidiram com as minhas, poucas vezes vi pessoas defenderem a si mesmas como povo, talvez ela já tenham desistido, talvez seja mais fácil acreditar que as coisas nunca irão mudar. Coisa da qual eu descordo e lhe parabenizo por não desistir também.
    Peter Pan é demais <3
    Beijos Maura!

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  3. Oi, Maura!
    Junho está sendo pesado mesmo, mas de um jeito bem diferente do que foi maio. Acho incrível que as pessoas tenham se mexido para reivindicar seus direitos, mas as coisas estão tomando um rumo estranho e assustador.
    Também li "Peter Pan" para o desafio, mas não gostei muito.
    bjo

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