10 de maio de 2013

Igreja do Livro Transformador: Dia do Testemunho

Igreja do Livro Transformador? Vocês devem estar se perguntando: O que seria isso, Maura?
Vou explicar, ou melhor, a Melissa Padilha do De Coisas por Aí vai explicar: 

''A Igreja do Livro Transformador é um movimento inicialmente organizado pelo escritor Luiz Ruffato, onde as pessoas apresentam seus depoimentos sobre como o livros transformaram suas vidas, ou seja tem como objetivo final o incentivo à leitura, demonstrando como livros podem alterar os rumos de nossa vida''.

E hoje, 10 de maio não é só o dia em que acordei com vontade de não assistir a aula, rs, é um dia muito especial para a ILT, o texto que segue agora é oriundo da página da Igreja do Livro Transformador: 

''Hoje é um grande dia, o escritor Luiz Ruffato vai "rezar" a primeira "missa" da Igreja do Livro Transformador lá no FestiPoa Literária, em Porto Alegre, as 18:30, na Casa Mário Quintana! Como não podemos estar todos os fiéis lá nesse grande dia um grupo muito especial de blogueiros e vlogueiros (obrigada pessoal ♥) teve a sensacional ideia de promover o DIA DO TESTEMUNHO! 

Durante todo o dia vamos publicar nesta fanpage vídeos e posts de gente TRANSFORMADA contando suas histórias emocionantes com os livros. 

Quer participar? É SIMPLES, basta fazer um vídeo, gravar um áudio, escrever um post ou simplesmente tirar uma foto com o (os) livro que transformou sua vida fazendo um relato breve, lembre-se que seu depoimento pode transformar outras vidas!''.

:)



Visite  site ou a página no Facebook e se você gostar da ideia, faça como eu e os vlogueiros e os outros blogueiros lindos que estão postando seus testemunhos sobre o livro ou livros transformadores, ao final da postagem colocarei os links dos outros testemunhos e atualizarei à medida que eles sejam divulgados :)



E este...
É o meu testemunho para a Igreja do Livro Transformador... 

Mas, antes de começá-lo... Vou usar a frase da Clara e Raphael do Capitu Já Leu? para descrever também o meu testemunho: ''Somos politeístas: não foi só um livro que mudou nossa vida, foram váááários! ;)''.

Vamos começar pelo começo porque eu sou redundante :)

A grande culpada por eu gostar de ler, gostar de estudar... Foi minha mãe.
Minha mãe é uma mulher semianalfabeta que durante muitos anos trabalhou como empregada doméstica nas tais casas de família, enquanto a sua família era criada por uma televisão. Ainda bem que a minha babá era a Cultura e àquelas sessões de cinema vespertina.
Minha mãe nunca compreendeu a minha total devoção aos livros, sempre achou que eu perdia tempo com eles, mas... nunca deixou de me trazer as revistas que os patrões davam ou me comprar lápis e caderno ao invés de bonecas, sempre comprava os livros que as professoras pediam na escola e mesmo não admitindo, ela ficava mais aliviada ao saber que eu ia ficar dentro de casa enquanto ela saía para trabalhar inventando histórias com minhas bonecas baratas ou ensinando-as a ler, tive sorte por ser apresentada desde cedo aos materiais impressos que aguçou a minha vontade por conhecer mais e mais, tive muita sorte em ganhar livros didáticos e diversas enciclopédias que as outras pessoas não queriam mais e que me ensinaram mais que os professores desestimulados que fingiam nos ensinar, as enciclopédias me ensinaram mais que eles, as pessoas que só existiam no papel me ensinaram muito...

O primeiro livro que transformou-me foi A Primavera da Lagarta, de Ruth Rocha com as belíssimas ilustrações de Maria Cecília Marra. 
Primeiro me apaixonei pelos desenhos, em seguida pela escrita.



Ele foi o primeiro livro que consegui ler sozinha e a partir daquele dia, o lia sempre. A história daquela lagarta chamada de feia, comilona... horrorosa pela dona Formiga é uma das minhas favoritas.

Ruth tornou-se também a minha escritora infantil preferida, mas... desculpa aí, gente, eu nunca consegui achar os outros livros dela tão legais quanto esse, com certeza, isso se deve ao fato de que ele foi o primeiro livro que eu li plenamente alfabetizada e quando lembro dele, lembro da minha infância... A minha memória péssima conseguiu apagar muitas lembranças, mas não aquela felicidade que eu senti ao perceber que estava entendendo o que a escrita dizia. 
A primavera da Lagarta e os gibis da Turma da Mônica me alfabetizaram, então para eles guardo um espaço enorme em meu coração e o posto de ''transformadores''. 

Sempre quando penso em um livro QUE MARCOU-ME mesmo, mesmo, mesmo ou muito, muito, muito lembro de A ordem da Fênix, o quinto volume da série Harry Potter... 
Para quem não sabe, eu amo a série infantojuvenil da britânica J.K. Rowling e para quem ainda não sabe, eu li a série aos poucos... Comecei lendo o quarto, fui pro quinto e depois terceiro, três anos depois li o último e um ano depois, consegui ler o sexto e os dois primeiros, minha ordem de leitura foi uma zona, mas eu li mesmo assim e se eu não lembro de alguns detalhes da série é culpa da idade.
E se eu não tivesse lido os livros da Rowling, a Parvatis não existiria. Se você notou uma semelhança com algum nome de uma personagem dos livros, está certo, o meu sobrenome é um pseudônimo, adoro meu nome brasileiríssimo, mas Parvatis tornou-se parte de mim. 
Certo, já falei que A Ordem da Fênix me marcou, mas não disse se ele é o meu livro transformador. Então vai:

Harry Potter e a Ordem da Fênix é um dos meus livros transformadores. 


Quando o li, a minha admiração que já era crescente pela J.K. explodiu e diversos sonhos começaram a espoucar diante de meus olhos, alguns desses sonhos eram bem infantis: eu quero ser como ela, eu quero escrever um livro maravilhoso como esse e marcar a vida de alguém... Outros continuavam sendo impossíveis: eu quero escrever livros, quero ir morar na Inglaterra, até que surgiu o desejo mais forte que já desejei, hehe, em todos esses anos: ser professora. Culpa da J.K, gente!
Mas, voltemos ao por quê de Ordem da Fênix ter sido meu livro transformador: EU SOFRI LENDO-O! EU SOFRI... POR PESSOAS QUE NÃO EXISTIAM! A partir desse livro, eu percebi o poder da escrita, as palavras possuíam mais poder do que eu imaginava, Rowling conseguiu me mostrar isso... As palavras contam e encantam

E eu nunca superei a morte de uma das personagens desse livro, dói ainda lembrar dele mesmo após esses quase 8 anos em que li esse livro, estou há oito anos de luto por uma personagem... 

A Ordem da Fênix também é o responsável pela necessidade de LER, LER, LER... Eu queria ler mais, mais, mais e mais... Acho que tornei-me uma leitora mais assídua por culpa dele, depois de 2006 comecei a ler com mais frequência, cruzei com outros tantos livros MARAVILHOSOS em minha curta trajetória em terra, as idas à biblioteca Sylvia Orthoff no Tucuruvi eram mais frequentes e entre 2007 e 2008, eu li O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino. Outro livro que partiu meu coração... em mil pedaços juntou com a pazinha e jogou na lixeira mais próxima. 
Ele foi um dos livros mais profundos que li... 
Creio eu, que se tivesse lido-o agora aos 20 anos, o mesmo impacto que ele gerou sobre mim teria sido bem diferente do que foi ao lê-lo aos 13.
Ele é um livro que nunca desejo reler... Por medo de não amá-lo mais, por medo de comprovar que ele é tudo aquilo que minhas lembranças sugerem, por medo de sofrer e me sentir impotente, novamente... 
A morte me espreita novamente e eu percebi ao finalizar O Grande Mentecapto que se eu - um dia - chegasse a escrever livros, faria finais infelizes, mataria as personagens... A vida é bonita, mas até mesmo na vida mais linda, as pessoas que amamos morrem e eu ainda não aprendi a lidar com a perda, os livros já me transmitiram bastante aprendizado, mas ainda não me ensinaram a superar isso, a perda...
Um pouco pesado, não?! 

Em 2008, numa outra ida à biblioteca Sylvia entre os livros da sessão juvenis, me deparo com o livro A Bússola de Ouro, a primeira imersão no universo criado por Philip Pullman foi AVASSALADORA! 

Em menos de um ano li os três, e eu acho que nunca fui mais a mesma depois desses livros, a série Harry Potter foi muito importante para mim, mas a trilogia Fronteiras do Universo... É, até hoje é difícil falar sobre eles. 
Ah, e o Pullman é professor. Novamente outro professor que escrevia livros... Eu já não desejava escrever livros tão bons quantos os dos meus preferidos, a vontade de escrever ainda não havia morrido e nem o desejo de seguir pelo caminho da docência.

Finalmente, chegamos ao talvez  último livro transformador em minha vida:

Há cerca de 6 anos, tive o meu primeiro contato com Lygia, não a partir da leitura de um de seus romances, a minha querida professora de Língua Portuguesa no primeiro ano do Ensino Médio nos apresentou uma entrevista concedida pela escritora em 2000, durante a aula de produção textual [como eu escrevi durante aquele primeiro ano...] A atividade era simples: ler a entrevista e fazer uma outra com base nas próprias respostas da senhora. 
Nunca eu me senti tão próxima de uma escritora quanto me senti ao entrevistar Lygia Fagundes Telles. 
Foi naquele segundo ou terceiro bimestre de 2008 que eu descobri minha primeira escritora favorita, mesmo ano em que cogitava me embrenhar mesmo pelas Letras, naquela época eu queria mesmo era estudar Literatura, atualmente estou na reta final da licenciatura em uma língua que amo e que sou falante e de outra que não nasci para ensinar. 
Mas, o mais importante é que em 2008 conheci a Lygia de diversos romances publicados, de uma aparência imponente que me fascina e em 2011, quando havia ingressado num curso de Letras, concretizando aquele sonho de 2006, eu li As Meninas, o seu romance mais famoso e... ''Poxa Vida hein, Uoooool!'', a história daquelas três meninas de personalidades e sonhos diferentes marcou outro período distinto da minha vida... Quando eu lembrar daquele primeiro semestre de 2011 lembrarei de As Meninas e de Lygia Fagundes Telles que já vivia em meu coração desde o dia em que eu a entrevistei e é claro que, além disso, o livro é muito bom! 
A escrita de Telles é o que eu nunca vou conseguir alcançar, mas eu tentarei... Por enquanto, vou comendo vírgulas ou empregando-as quando não é necessário, ou usando os porquês todos errados em textos fora daquele ambiente sufocante e chato pacas que é a academia.

Por enquanto, vou lendo livros que eu desejo ler em busca de histórias que me transformem ou que, durante as horas em que ele me acompanhar, faça os mecanismos de minha cabecinha oca funcionar, alguns lembrarei do enredo pelos próximos anos, outros serão apenas mais um livro que li. 

Mas o mais importante é saber que tive meia dúzia de livros que foram capazes de mostrar o melhor que eu possuo, a capacidade de sonhar e consequentemente, correr atrás desses meus pequenos grandes sonhos!

Marcador
da ILT!
Outros testemunhos: 


Camila (A Imitação da Rosa);
Clara e Raphael (Capitu Já Leu?);
Gabriela (Viver pra Ler);
Juliana (O Espanador);
Marcia (Marcia Cogitare);
Melissa (De Coisas por Aí);
Michelle (Resumo da Ópera);
Michelle H. (... in a handfulof dust);
Rafael (O Espanador);

Assim que outros depoimentos/testemunhos forem liberados, vou atualizando aqui, fique ligado :)






Me diz, qual foi o livro (ou livros) Transformador de você?
Beigos!


PS: Se vocês encontrarem algum erro gramatical ou ortográfico me avise, ok? :) 

12 comentários:

  1. Que lindo, Maura!
    Adorei conhecer seus livros transformadores e, principalmente, o início de tudo, com sua mãe incentivando e apoiando sua paixão pelos livros. E a sua força de vontade, claro!
    "...as pessoas que só existiam no papel me ensinaram muito" - Perfeito.
    bjo

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  2. Maura,
    lindo texto!
    Puxa... eu me esqueci da Lygia <3
    amo demais As Meninas. Foi um livro que marcou demais para mim tb :)
    bjsss

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    1. Obrigada, Ju!
      Lindo demais esse livro, vou reler esse ano... Saudades demais dele :')

      :)

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  3. Oi Maura !!
    Que lindooo seu testemunho ! Eu também li Ruth Rocha na infância li Uma História de Rabos Presos, mas uma das coisas que marcaram bastante foi a série Vagalume e os quadrinhos da Mônica que ganhava do meu avô, no meu testemunho escolhi colocar o primeiro livro que ele me deu, mas a verdade é que ele me dava tanta coisa que se falasse ia fazer um post de 10km ! Lembrei agora de uma coisa que poderia ter post os quadrinhos da Mônica, principalmente os almanaques de férias, ganhava sempre do meu vô e adorava ler!
    Adorei seu testemunho!
    bjão
    Melissa

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    1. Melissa, que bom que gostou... Puxa, que lindo o incentivo do avô! Meu sonho é ler livros da Série Vagalume, ganhei um velhinho do Narbal Fontes [não lembro o nome] que já virou meu xodôzinho!
      Eu não lembro quem me comprava, me dava os gibis da Mônica, mas lembro de aprender a ler também com ele!

      Beigos!

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  4. Engraçado você mencionar um livro que te marcou na faculdade porque vivi a mesma coisa. Terra sonêmbula do Mia couto foi o primeiro livro que li quando entrei na letras. (Cheguei de paraquedas em um curso totalmente novo - minha turma era a primeira - saído do curso de física da Ufrj)
    A leitura do Mia Couto me marcou tanto que sempre que lembro daquelas primeiras aulas, parece que "ouço" a voz do Mia Couto me contando a história de Muidinga e de Tuahir.

    Adorei seu post e principalmente a sua relação com os livros!

    Abraços
    Raphael Pellegrini

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    1. Puxa, que bacana, Raphael, muito bom lembrar de um livro e de momentos vividos em que a voz do autor, a presença de alguns personagens estavam lá nos acompanhando em um momento novo, acho que caí de paraquedas no meu curso também, entrei na metade do semestre e eu demorei quase 3 semanas para me adaptar à minha nova [e assustadora] realidade!

      Opa, que bom que gostou, valeu!

      :*

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  5. Amei!
    Que lindo!
    Adorei a ideia da "igreja" e adorei a história que você contou, de como se apaixonou pelos livros e como eles mudaram e mudam sua vida.
    Lindo!!!!
    Tenho muita vontade de ler "As meninas".

    Beijos,
    Carissa

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    1. Carissa, que bom que curtiu, querida!
      Essa nova Igreja é muito amor, né? :D Fiquei muito feliz ao saber que gostou também desse meu testemunho :')

      Espero que leia "As Meninas" em breve, é um livro ótimo :D

      Beigos!

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  6. Que lindo Maura!! Seu post me deixou com os olhos marejados, sério!!
    Muito bonita essa sua busca e o apoio indireto da sua mãe (afinal, não atrapalhar já é um grande apoio né?)!
    Adorei conhecer seus livros transformadores! Quero muito um dia ler a série Harry Potter, porque sinto que vou virar uma fã tardia rsrs E Lygia é muito amor, espero que continue se apaixonando por ela cada vez mais! Já leu Ciranda de Pedra? É um dos meus favoritos!
    Beijo enorme,
    Tati

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    1. Que lindo, Tati, eu quase chorei escrevendo :')
      Ah, verdade, ela já parou de reclamar, sabe que não vou parar... Às vezes, ela até fala de alguma palestra que fale sobre livros no centro espírita que ela participa, fico até com cara de boba, hehe.

      Ah, sem dúvidas, você irá adorar HP :D
      Ainda não li, Tati, mas já está no Kindle esperando para ser lido, espero gostar dele tanto quanto você *_*

      Beigos!!!

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