4 de janeiro de 2013

Dom Casmurro por Machado de Assis

Editora Martin Claret
Autor: Machado de Assis
ISBN: 9788572322647
Páginas: 198

Dom Casmurro, publicado em 1899, constitui, juntamente com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Quincas Borba (1891), a trilogia mais significativa dos romances de Machado de Assis. 
O romance Dom Casmurro é dividido em 148 capítulos de diversas dimensões, alguns ocupam de uma a duas páginas, predominam os capítulos pequenos.

Nesse livro, Machado de Assis tematiza o adultério sob a ótica de seu personagem-narrador, o solitário Bento Santiago, o Dom Casmurro, que acredita ter sido traído por sua mulher, Capitu, que foi sua vizinha desde a infância. Ambos filhos únicos crescem juntos como bons amigos e quando adolescentes, um sentimento maior cresce entre eles. 
Ambos tem personalidades distintas, enquanto Capitu era uma menina independente e cheia de vontade própria, o menino desde pequeno foi acostumado e mimado pela mãe e pelos parentes, o que o tornou fraco, dependente e inseguro. Capitu com sua personalidade forte, consegue dissimular situações embaraçosas como quando eles se beijam e no instante em seguida o pai de Capitu entra no local e lá está a menina como se nada tivesse acontecido.

Porém, Bento Santiago, o Bentinho, não pode engatar um namoro com sua vizinha porque o menino antes de nascer foi destinado ao seminário por uma promessa de sua mãe, uma mulher que ficou viúva muito jovem. 
Durante a narrativa percebemos que a mãe teme a ida do filho ao seminário por ser seu único e adorado filho, mas ela não impede a ida e quando completa a idade, o garoto torna-se um seminarista. 
O momento em que Bentinho é mandado para o seminário é a maior prova do quão mole, fracote esse garoto é: ele teve várias, várias, várias oportunidades de chegar na mãe e dizer: Então, minha senhora, não quero ir pr'esse treco não, estou apaixonado por Capitu e quero ficar aqui, ó, do ladinho dela! Brincadeiras à parte! Mas, muito irritante é um personagem bobão como ele! Mas ele não se posiciona, se ele tivesse um pingo da ''coragem'' de Capitolina Paiva, se ele tivesse, teria feito isso. 

No seminário, Bentinho faz amizade com um outro garoto que, como ele, não demonstra vocação para a vida eclesiástica, Ezequiel Escobar. Após algum tempo, o compromisso religioso é desfeito e Bentinho pode escolher uma carreira liberal, ele vai estudar Direito e finalmente, casa-se com Capitu. Seu amigo Escobar que também desvincula-se do seminário acaba indo trabalhar no que sempre gostou, o comércio.


Cena da minissérie Capitu exibida em 2008 pela rede Globo. 

O início do casamento, como em muitas relações são flores! Escobar acaba por casando-se com uma amiga de infância de Capitu, Sancha.
O casal Capitu e Bentinho após algum tempo, tem um filho que é batizado de Ezequiel, e mantêm estreita amizade com o casal Escobar e Sancha que, após um tempo, tem uma filha. 

Num incidente, Escobar... morre e nosso personagem-narrador dá a entender que sua esposa sofre muito e é a partir desse momento que Bento Santiago começa a suspeitar que ela o tenha traído. A desconfiança aumenta à medida que Ezequiel cresce e aos olhos do pai, se parece cada vez mais com seu falecido amigo. Pouco tempo depois da morte de Escobar, o casamento de Bentinho e Capitu é desfeito. 
Agora, um velho Bento Santiago que aparentemente há muito, muito tempo foi o inseguro e mimado Bentinho é um homem solitário, a querer, com livro que está escrevendo: “atar as pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência”, talvez, a época em que foi mais feliz em sua vida. 

Desisti de ler esse livro em 2010 porque não senti empatia pela história e achei o ritmo da mesma parado, por ser uma narrativa digressiva, volta e meia lá estava eu, divagando sobre qualquer outra coisa ou mesmo sobre o que estava lendo nas entrelinhas. 

Dom Casmurro é um livro que, pessoalmente, aconselho às pessoas lerem com duas certezas: esse é um dos melhores livros do mundo, uma obra prima! e Bentinho está mentindo para nós!!! 

O moço manipula o leitor à acreditar que, sim, Capitu o traiu! 
Esse é um dos problemas em narrativa em primeira pessoa, temos a perspectiva pelo ponto de vista duma única personagem e nós, infelizmente, temos que nos posicionar, nesse caso, se acreditamos no que ele nos narra... 

Infelizmente/triste é saber que muitas pessoas leem há décadas (muitas, né!) esse livro como a história ''de um homem traído por sua esposa'' e o que me deixou indignada durante a apresentação do seminário que minha turma fez sobre esse mesmo livro foi atestar os posicionamentos dos alunos: todas as mulheres, todas!, acreditavam na inocência de Capitu enquanto os homens garotos imaturos acreditavam que a moça tinha culpa no cartório. Machistas!!!, todas gritam!

A dúvida paira no ar, se houve ou não, a suposta traição, nós como leitores temos a obrigação e o faro de encontrar dentro do texto machadiano os indícios, os pequenos erros da narrativa de Babaca Bentinho que negam o que ele nos induziu a acreditar. Numa passagem que eu deveria transcrever aqui, mas dona Preguiça, não me deixa, no momento em que Bento acusa a esposa do adultério, cara!!!, lembro de ter fechado o livro e pensado: Machado de Assis, seu sacana!

Ah, uma teoria que surgiu durante nossas rodas de conversa para elaboração do seminário foi uma que talvez já tenha sido abordada em reportagens, teses e que a preguiça não quer me fazer pesquisar, Bento Santiago é um advogado e que o pouco que sei sobre ele é de que o poder de convencimento desses profissionais é incrível - senta com um aí pra ver se ele não te convence, que ele desbanca todos os argumentos que você tem... Posso estar equivocada (devo estar), mas de algo tenho muita, muita certeza, esse livro é incrível. 

O Titulo “Dom Casmurro” reflete uma das características mais marcantes do protagonista /narrador no crepúsculo da sua existência: ele é um chatão! 
“Não consultes dicionários, Casmurro não está aqui no sentido que lhes dão, mas que lhes pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribui-me  fumos de fidalgo”.
Ele é chato, mentiroso e mereceu ter acabado sozinho no final! Putz, falei um spoiler?! 
Como já citei acima, esse livro é incrível e eu recomendo! 

Beigos!

15 comentários:

  1. Ano passado no colégio eu ouvi sobre esses três romances o ano inteiro! Eu até peguei o "Memórias Póstumas de Brás Cubas" que eles deram para ler, mas ainda não li. :/ Eu vi o filme (?), porque precisava fazer um trabalho sobre isso. Eu até gostei da história e estava animada para ler o livro, só que acabei passando uns na frente e desanimei. Sabe como é. Enfim, gostei bastante da resenha!

    Beijos,
    Monique <3
    http://www.secretsofalittlegirl.com/

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  2. Não gosto de Machado de Assis por causa da profundidade do texto. As mil e uma palavras que não conheço e a necessidade de estar sempre com o dicionário porque nem pelo contexto é fácil para ler.
    Por isso não li e nem pretendo ler Dom Casmurro. Não tem nada a ver comigo, nada a ver com o meu tipo de leitura.
    Mas fiquei encantada com sua resenha e com sua raiva.
    Beijos.

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  3. Hahahaha Eu ri muito dos seus comentários sobre a leitura e a discussão com teus colegas!

    Esse é um livro que preciso reler um dia.
    Li na adolescência e detestei tanto que criei um preconceito com Machadão. Algo que graças ao vestibular da Fuvest podia contornar porque adorei Brás Cubas.

    Realmente acho uma grande manipulação, mas acho interessante isso.
    Ah, estou lendo Reparação e gostando muito (nem sabes todo o drama dessa leitura. Eu conto no post da resenha que talvez saia essa quarta).

    Beijos,

    liliescreve.blogspot.com

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  4. kkkkkkkkkkkkkkk Ri muito, Maura.
    Dom Casmurro tem tantas coisas nas entrelinhas que é fácil de se perder. A minha professora da facul tinha oitenta e alguns, mas quando falava desse livro, seus olhos brilhavam com um ardor adolescente. E assim o livro rendeu muitas discussões. É interessante notar como Bentinho assume cada faceta que a advocacia permite. Ele acusa, defende, julga e condena Capitu. Outra idéia interessante é que Bentinho fosse homossexual e que tivesse ciúmes da amizade de Escobar com Capitu. Assim Capitu e Sancha seriam esposas de fachada. Lembrando que Capitu só vai conhecer Escobar por intermédio e culpa de Bentinho. Gosto desse livro por que ele te deixa livre para imaginar mil coisas. Pena que nós nunca saberemos o que Machado tinha em mente sobre Bentinho. Beijos.

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  5. Eu também tenho certeza que ela não traiu!!! rsrsrs
    Só pela personalidade, isso fica claro. Mas eu gostei do autor deixar isso a escolha do leitor, vamos dizer, cada qual com seu ponto de vista.

    ;*
    Gabi - livros e citações

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  6. Oi, Monique!
    Esse ano - finalmente - pretendo ler Memórias inteiro, eu sempre leio trechos e capítulos mas nada de ler tudo!
    O filme é incrível, já assisti umas 5 vezes, haha.

    Obrigada e beijos!

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  7. Oi, Babi!
    Enquanto lia o Dom, fiz vários grifos em palavras que desconhecia porque fiquei confusa, mas... tirando elas, gosto bastante da ironia das personagens.
    Têm livros que não fazem nosso tipo mesmo, então não dá pra insistir, né!

    Beijos!!!

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  8. Ei, Lili!
    Essa discussão ainda rende boas risadas entre o pessoal da sala, rs

    Releia, moça, releia! Acho que agora você vai adorá-lo.

    Um livro que li na adolescência, tinha 13 anos e até hoje tenho raiva do autor é A Metamorfose e muito receio de ler os outros livros dele.

    Aguardarei a postagem sobre Reparação, boa leitura!

    Beijos!

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  9. Adorei essa sua frase, Taís: Ele acusa, defende, julga e condena Capitu.
    Começarei a usá-la aqui, dando os devidos créditos, rs
    Essa sua ideia é interessante demais, pode ser que seja isso mesmo. HUMMMM

    Acho que essa dúvida é o que torna esse livro tão bacana de ser ler, como nunca saberemos o que o Assis quis mostrar, as teorias continuarão a surgir e todas as leituras possíveis, HAHAH

    Beigos!

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  10. Aeee, Gabi!

    Verdade, cada um vai ter seu ponto de vista e os debates são os melhores, cada um querendo mostrar que seu ponto de vista é o certo, rs

    Beijos!

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  11. Maura, sou suspeita para falar, pois tenho um caso de amor crônico com tudo que Machado de Assis escreve. O cara foi um gênio da literatura brasileira, o gênio da literatura brasileira, na verdade. Hoje parece que a trajetória dele foi apenas mais uma, com suas complicações, entre várias, mas a verdade é que numa época tão cheia de limitações, o mulato do Cosme Velho foi longe, muito longe.
    E "Dom Casmurro" é um desses livros de consagração dele que, como você bem citou, poderia facilmente estar entre os melhores do mundo.
    Sabe que eu também, quando era bem novinha, já tinha tentado ler o livro uma vez e detestado completamente? Acho que tinha uns 12 ou 11 anos :/ Quando fiz 13, no entanto, peguei-o novamente, sem compromisso e terminei de ler em um dia. Fiquei me sentindo como uma aberração e daí em diante li muita coisa que esse cara escreveu haha
    Agora, sobre Bentinho, compreendo a sua revolta. Ele é meio insuportável mesmo, embora eu confesse ainda não saber como me posicionar diante desse famigerado adultério, que talvez nem o tenha sido de fato. O que, para mim, é visível em toda a obra é a importância de Capitu que, muitas vezes, toma o papel de protagonista para si com os olhos de ressaca dos quais tanto se fala.
    Ótima resenha sobre um livro fantástico.
    Desculpe-me a empolgação, mas é Machadão, né! heiuehieuheiuh
    Beijo!

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    1. Adorei o comentário, Ana, e é Machadão, toda a sua 'empolgação' não é pra menos, é Machado <3

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  12. Machado é simplesmente amor! Adorei ver um blog que resenha nacionais, parabéns :DD

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  13. Há anos Dom Casmurro está na minha lista gigante de releituras obrigatórias (sabe daquelas de trauma escolar? então...).
    Mas aí, depois de ler a sua resenha, não é que o danado do Bentinho subiu várias posições???
    Gargalhei com o "Machado de Assis, seu sacana!"
    Ótima resenha!

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