9 de novembro de 2011

Quero Ler #18

Três livros que desejo muito ler, quero, mas que estão na fila para serem adquiridos, comprados ou encontrados nas bibliotecas da cidade.

Agora são, exatamente, 22:44 de uma noite de temperatura agradável na capital de São Paulo, cheguei a pouco da faculdade e recebi uma notícia muito triste: a do falecimento da minha avó paterna, eu deveria não estar atualizando blog num momento desses, admito. Mas minha avó não gostaria de me ver chorando, lamentando sua ida. Sorrir, impossível num momento como esses, talvez amanhã ao lembrar de suas histórias, de seus puxões de orelha, dos conselhos, como esse: ''Você já tem idade pra casar, eu com 13 anos já tinha filho...'', eu sorria porque esse conselho sempre seguia-se desse: ''Estuda, menina, estuda''. 
Pois bem, avó, dona Isabel Antunes, estou aqui, por você, por sua história de vida, suas origens  indígena-holandesa-portuguesa, sua teimosia. Herdei dela essa teimosia (:

Segue o trio de livros dessa quarta-feira:

Título: O Despenhadeiro
Autor: Fernando Vallejo
Editora: Alfaguara
A mãe é tratada como "A Louca", o irmão caçula, chamado de "Grande Cretino", "aborto da natureza", mulheres grávidas em geral, de "vacas cínicas" e o papa Karol Wojtyla, de "travesti polonês", "besta vaticana". O narrador de O despenhadeiro, papel assumido sem disfarces por Fernando Vallejo em mais este romance de tintas autobiográficas, é sempre assim, como ele mesmo define: "emenda maldições umas atrás das outras, como ave-marias de um rosário". Herege convicto, o polêmico autor de origem colombiana aproveita para voltar a exibir neste romance sua declarada aversão pela Igreja Católica, sua ácida visão dos relacionamentos familiares e seu ódio escancarado pela sociedade burguesa. Com a característica ferocidade que permeia seu texto, Vallejo narra em O despenhadeiro a derrocada de sua família em meio à Colômbia violenta que abandonou há mais de trinta anos. Residente no México desde 1971, o escritor sempre fez questão de alardear sua opção pela cidadania mexicana como forma de protesto contra seu país natal.

Título: Leite Derramado
Autor: Chico Buarque
Editora: Companhia das Letras
Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. A visão que o autor nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência.
A saga familiar marcada pela decadência é um gênero consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao gênero, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela se concentra em 200 páginas. Outra originalidade é sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do gênero é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.
O texto é construído de maneira primorosa, no plano narrativo como no plano do estilo. A fala desarticulada do ancião, ao mesmo tempo que preenche uma função de verossimilhança, cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar.
Em suas leves variantes, as lembranças obsessivas revelam sutilezas ideológicas e psíquicas. E, como essas lembranças têm forte componente plástico, criam imagens fascinantes. Tudo, neste texto, é conciso e preciso. Como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo.
Há também um jogo com os espaços onde ocorrem os acontecimentos narrados. As várias casas em que o narrador morou, como as décadas acumuladas em suas lembranças, se sobrepõem e se revezam.
O fato de nem no fim da vida o homem compreender e aceitar o que aconteceu torna seu drama ainda mais lamentável. Os enganos ocasionados por seu ciúme são tragicômicos, e o escritor os expõe com uma acuidade psicológica que podemos, sem exagero, qualificar de proustiana.

Título: Reparação
Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras
Na tarde mais quente do verão de 1935, na Inglaterra, a adolescente Briony Tallis vê uma cena que vai atormentar a sua imaginação: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, tira a roupa e mergulha, apenas de calcinha e sutiã, na fonte do quintal da casa de campo. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a menina, que nutre a ambição de ser escritora, constrói uma história fantasiosa sobre uma cena que presencia. Comete um crime com efeitos devastadores na vida de toda a família e passa o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou.

6 comentários:

  1. Reparação parece ser um livro interessante. Agora também quero ler.

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  2. Oiii curti teu blog
    Já estou seguindo
    Será que poderia seguir o meu tbm?

    http://10coisas2.blogspot.com
    Kisses.

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  3. Adoro ler... As dicas já estão anotadas.
    Tô seguindo...
    http://mundofabulosodamia.blogspot.com/

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  4. Sou viciada em livro e esses parecem ser bem legais. Muito boa a dica
    Adorei o blog e já to seguindo :)
    Passa lá?
    http://thebookofmydreams.blogspot.com/

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  5. Esses parecem ser muito legais!
    O último tem um filme, não é?
    Estou seguindo o seu blog :D
    http://seriesbooksmovies.blogspot.com/

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  6. Oi, Larissa!
    Sim, Reparação tem um filme que chama-se Desejo e Reparação e é excelente!
    Obrigada por seguir o blog.

    ;*

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